Associação dos Criadores de Gado do Oeste da Bahia (Acrioeste)

Pecuária sustentável: parceria entre Solidaridad, Acrioeste e Profissional promove a gestão das propriedades ligadas do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Agora consigo enxergar melhor o que entra e o que sai. Fica mais fácil para planejar. Quem sabe não consigo me organizar para comprar um carro. Genésio Pedroso Dias – pecuarista de Santa Maria da Vitória, Bahia

Em seu novo caderno, o pecuarista Genésio Pedroso Dias, 47, senta e começa a escrever apoiado na mesa da cozinha. Além de servir as refeições, este é o ponto de apoio para a nova rotina: registrar as despesas e rendas da sua propriedade localizada em Santa Maria da Vitória, na região Oeste da Bahia. Ao administrar as finanças da fazenda de 220 hectares, e do rebanho com 156 cabeças de gado, ele tenta se adaptar à nova rotina. “No mês passado foram vendidos dois bezerros e duas vacas e tivemos despesas com botijão de gás, roçagem da fazenda e cana e rapadura”, conta, ao apontar as informações com a letra de forma no caderno.

Embora pareça uma atividade simples para administrar qualquer negócio, Genésio somente passou a adotar a gestão financeira da sua fazenda há apenas dois meses, com o apoio especializado de técnicos ligados ao projeto de pecuária sustentável desenvolvido no Oeste da Bahia. Fruto das parcerias entre a Fundação Solidaridad, Associação dos Criadores de Gado do Oeste da Bahia (Acrioeste), consultoria Profissional e Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), o projeto inicia a segunda etapa, ligada à assistência técnica direta aos pecuaristas na região, visando apoiá-los em cinco eixos principais: gestão da propriedade, produção animal, legislação trabalhista, meio ambiente e relacionamento com comunidades no entorno.

Além de Genésio, de Santa Maria da Vitória, o trabalho de treinamento, capacitação e acompanhamento também vem sendo realizado junto a outros quatro pecuaristas do oeste baiano, dos municípios de Angical, Correntina, Riachão das Neves e Wanderley, que deverão ser os disseminadores de uma gestão sustentável na pecuária.

“A ideia é sensibilizar estes pecuaristas a seguirem uma nova prática de gestão, preocupada com a sustentabilidade financeira e ambiental, para que futuramente se transformem em Unidades Modelo, com práticas a serem adotados pelas propriedades rurais mais próximos”, explica o engenheiro agrônomo da Profissional, Márcio Oliveira.

O projeto de apoio aos pecuaristas no Oeste da Bahia utiliza a metodologia de melhoria contínua do Programa Horizonte Rural, desenvolvido pela Fundação Solidaridad. A implementação foi planejada de forma a garantir a representatividade do diagnóstico em termos geográfico e considerando a importância do rebanho tamanho e do peso econômico de bovinos de corte para os municípios da região. Tudo começa com a avaliação da propriedade por meio da aplicação de um guia de autoavaliação das práticas sociais, ambientais e de gestão na pecuária. No total, 76 pecuaristas realizaram autoavaliações entre janeiro e março de 2013 com ajuda de técnicos da Profissional e da Acrioeste. Como resultado, cada participante recebeu um roteiro individual com recomendações sobre como corrigir as lacunas identificadas na gestão, desempenho econômico-financeiro, técnico e operacional, bem como orientações para atingir a conformidade legal em termos de acordo com sua capacidade e orçamento.

Pecuarista Noel Santiago de Souza, Correntina, BA

O gerente de projetos de soja e pecuária da Solidaridad no Brasil, Harry van der Vliet, explica que os projetos desenvolvidos na região devem conectar e adequar a cadeia produtiva do Oeste baiano às demandas por uma produção mais sustentável e isto representa o grande desafio proposto pela Fundação Solidaridad. “O mercado europeu, por exemplo, é uma oportunidade interessante de negócios, que se apoia em exigências baseadas na sustentabilidade. Eles (os importadores) precisam ter certeza de que os produtos que compram não possuem origem duvidosa, que coloquem em risco a imagem de seus empreendimentos”, diz Harry.

Dentre as intervenções propostas para os agricultores do Oeste se destacam a adoção de boas práticas agrícolas e de pecuária porteira adentro, com um trabalho de melhoria contínua. Da porteira afora, a criação de corredores ecológicos e promoção de benefícios para as comunidades, utilizando, por exemplo, mão de obra, produtos e serviços locais. Apoio para a adequação às conformidades legais também é um dos objetivos da Fundação Solidaridad, através do projeto desenvolvido com a Acrioeste, Profissional e Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável.